Pular para o conteúdo

Conhecimento, diálogo e conexão.

ABCICLO: Associação Brasileira do Ciclo da Receita Hospitalar Associe-se

Dados

Radar ABCICLO do Ciclo da Receita

Os números públicos do ciclo da receita na saúde suplementar, reunidos num só lugar, com fonte, período e amostra.

Comitê de Dados e Indicadores · Edição 2026 · Atualizado em 27/10/2026

Números-chave

  • Glosa inicial dos hospitais

    15,93%

    dos valores a receber das operadoras

    2025 · Anahp[1]

  • Glosa aceita

    1,72%

    da receita bruta de convênios

    2025 · Anahp[1]

  • Prazo médio de recebimento

    77,35 dias

    hospitais associados à Anahp

    2025 · Anahp[1]

  • Margem EBITDA dos hospitais

    11,05%

    média dos hospitais da Anahp

    2025 · Anahp[1]

  • Sinistralidade das operadoras

    81,5%

    médico-hospitalares

    2025 · Anahp[1]

  • Resultado líquido das operadoras

    R$ 23,43 bi

    6,96% da receita

    2025 · Anahp[1]

  • Beneficiários

    52,93 mi

    em planos médico-hospitalares

    1º tri 2026 · Anahp[2]

  • Despesa assistencial

    R$ 307,54 bi

    da saúde suplementar, alta de 11,1%

    2025 · FenaSaúde[4]

Em resumo

  • Os hospitais da Anahp tiveram glosa inicial de 15,93% em 2025, praticamente igual aos 15,89% de 2024.[1]
  • A glosa que se sustenta ao fim da negociação, a glosa aceita, foi de 1,72% da receita bruta de convênios em 2025.[1]
  • Os hospitais levaram 77,35 dias para receber em 2025 e pagaram fornecedores em 48,30 dias: cerca de 29 dias financiados com caixa próprio.[1]
  • As operadoras tiveram em 2025 o maior resultado líquido da série, R$ 23,43 bilhões, com sinistralidade de 81,5%.[1]
  • No mesmo ano, a margem EBITDA dos hospitais da Anahp caiu para 11,05%.[1]

Glosa nos hospitais

A glosa inicial ficou estável em 2025, num patamar alto. A distância entre a glosa inicial e a glosa aceita mostra quanto da receita passa meses em disputa antes de ser paga.[1]

AnoGlosa inicial (gerencial)Glosa aceita (contábil)
2022não medida0,78%*
202311,89%1,17%
202415,89%1,96%
202515,93%1,72%

Nota metodológica. A glosa inicial gerencial é o valor glosado ainda em negociação, sobre os valores a receber das operadoras. A glosa aceita é o valor que o hospital reconhece como perda, sobre a receita bruta de convênios. As duas têm bases diferentes e não devem ser divididas uma pela outra. *A Anahp mudou a base da glosa aceita a partir de 2023, e o valor de 2022 não é comparável. A amostra são os hospitais associados à Anahp, em geral de grande porte.

Prazos de recebimento e de pagamento

Os hospitais recebem das operadoras bem depois de pagar fornecedores. Em 2025, a diferença entre os dois prazos foi de cerca de 29 dias.[1]

PeríodoPrazo médio de recebimentoPrazo médio de pagamento
202273,51 dias45,25 dias
202376,38 dias49,40 dias
202469,91 dias50,70 dias
202577,35 dias48,30 dias
1º tri 202574,31 dias49,20 dias
1º tri 202673,84 dias48,38 dias

Nota metodológica. Valores anuais[1] e do 1º trimestre[2] são séries diferentes e não devem ser misturados. O prazo de recebimento da Anahp é contábil, da emissão da nota fiscal ao recebimento, e não capta o tempo antes da nota.

Resultado das operadoras

O setor de operadoras médico-hospitalares fechou 2025 com o maior resultado líquido da série histórica e sinistralidade abaixo do nível anterior à pandemia.[1]

PeríodoBeneficiáriosOperadorasSinistralidadeResultado líquido
202350,88 mi69286,8%R$ 1,93 bi (0,71%)
202451,60 mi66983,4%R$ 10,29 bi (3,38%)
202553,09 mi66681,5%R$ 23,43 bi (6,96%)
1º tri 202652,93 mi66780,8%R$ 6,02 bi (7,00%)

Nota metodológica. Dados da ANS, consolidados pela Anahp nos Balanços Observatório.[1][2][3] O percentual do resultado é sobre a receita de contraprestações. O 1º trimestre não se compara com o ano fechado.

Despesa assistencial

A despesa assistencial da saúde suplementar chegou a R$ 307,54 bilhões em 2025, alta de 11,1% sobre 2024. As internações somaram R$ 128,71 bilhões, 41,9% do total, e são o maior grupo de despesa.[4]

AnoDespesa assistencial totalInternaçõesExames complementares
2022R$ 227,31 biR$ 95,14 biR$ 43,95 bi
2023R$ 258,34 biR$ 107,78 biR$ 49,18 bi
2024R$ 276,81 biR$ 111,32 biR$ 54,06 bi
2025R$ 307,54 biR$ 128,71 biR$ 55,89 bi

Nota metodológica. Elaboração da FenaSaúde sobre o Mapa Assistencial da ANS.[4] As internações incluem hotelaria, honorários, medicamentos, materiais, taxas, terapias e exames feitos durante a internação.

Custo das internações nas autogestões

Nas autogestões que participaram da pesquisa da Unidas, o custo médio de uma internação em regime hospitalar passou de R$ 25.754 em 2021 para R$ 28.571 em 2024, alta de 10,9%. Nas internações cirúrgicas, o custo médio subiu cerca de 33,5% no mesmo período, de R$ 23.295 para R$ 31.103.[6]

AnoHospitalarHospital-diaDomiciliar
2021R$ 25.754R$ 1.489R$ 13.348
2022R$ 24.573R$ 1.661R$ 14.670
2023R$ 25.820R$ 1.708R$ 14.868
2024R$ 28.571R$ 1.948R$ 15.223

Nota metodológica. Custo médio por internação, por regime. A base são 56 das 110 autogestões filiadas à Unidas, com 3.071.822 beneficiários em 2024 e cerca de R$ 21,47 bilhões por ano em despesas assistenciais (média de 2021 a 2024). O retrato é das autogestões, não de toda a saúde suplementar.[6]

Rede hospitalar privada

Em janeiro de 2022, o Brasil tinha 4.466 hospitais privados e 263.793 leitos em hospitais privados. Entre 2010 e 2022, a rede privada perdeu 31.670 leitos, enquanto os hospitais públicos ganharam 22.924. Entre 2010 e 2021, foram abertos 2.341 hospitais privados e fechados 2.702.[7]

Nota metodológica. Estudo da CNSaúde com a FBH sobre dados do Ministério da Saúde informados pelos próprios estabelecimentos. É a edição mais recente obtida, com dados de 2022, e entra aqui como contexto da rede que presta serviço às operadoras.[7]

Estudos de empresas

Esta seção reúne estudos publicados por empresas privadas do setor. Os números vêm da base de clientes de cada empresa, não de uma amostra representativa do mercado, e usam definições próprias. Não se comparam diretamente com as fontes institucionais acima. A ABCICLO não endossa produtos nem serviços dessas empresas.

Estudo de empresa

ZG Soluções: Panorama do Ciclo de Receita Hospitalar 2026

Publicado em 24 jul. 2026 · ver o estudo

Base: Dados de 2025 de mais de 700 instituições clientes da empresa, 62% delas associadas à Anahp, com mais de R$ 64 bilhões processados.

  • Glosas identificadas

    R$ 6,14 bilhões

  • Glosa inicial média

    8,86%

  • Glosa final média

    6,58%

  • Glosa contábil

    0,84%

  • Prazo médio de recebimento

    53 dias

  • Glosas com origem administrativa ou de processo

    cerca de 68%

O que os números dizem

  • A disputa é maior que a perda. Muito mais receita entra em glosa do que fica perdida no fim. O custo está no retrabalho e no dinheiro parado durante a negociação.
  • Os hospitais financiam o ciclo. Com recebimento em mais de 70 dias e pagamento a fornecedores em menos de 50, o hospital cobre a diferença com caixa próprio.
  • Os dois lados vivem momentos diferentes. Em 2025, as operadoras tiveram o maior resultado da série, enquanto a margem dos hospitais da Anahp seguiu em queda.
  • Boa parte da glosa nasce no processo. Estudos de empresas apontam que a maioria das glosas tem origem administrativa, o que pode ser evitado antes do envio da conta.
  • Falta uma base comum. Cada fonte mede glosa e prazo com uma base diferente. Por isso a ABCICLO propõe os Indicadores gerais do ciclo da receita, calculados do mesmo jeito por prestadores e operadoras.

Fontes consultadas

O Radar só publica número confirmado no documento original da fonte. Estas são as entidades consultadas nesta edição e a situação de cada uma.

FonteO que publicaSituação nesta edição
ANSDados gerais, DIOPS e painéis do setorIncluída, pelos dados consolidados nos Balanços da Anahp
AnahpObservatório Anahp e Balanço Observatório AnahpIncluída: glosa, prazos e margem dos hospitais associados
FenaSaúdeDados assistenciais sobre o Mapa Assistencial da ANSIncluída: despesa assistencial de 2022 a 2025
AbramgeCenário Saúde, boletim trimestralConsultada: traz 51,5 milhões de beneficiários em set. 2024, dado já superado pela série da ANS acima
IESSVCMH/IESS, índice de variação de custos médico-hospitalaresNão incluída: o relatório completo é vendido, e o índice não aparece em página aberta do IESS
UnidasPesquisa Nacional UNIDAS, com dados das autogestões filiadasIncluída: custo médio das internações de 2021 a 2024
CNSaúde e FBHCenário dos Hospitais no BrasilIncluída como contexto: rede hospitalar privada em 2022, a edição mais recente obtida; não traz glosa nem prazo
CMBDados das Santas Casas e hospitais filantrópicosNão incluída: os números encontrados estão em reportagens, não em documento da CMB

Metodologia

O Radar reúne dados já publicados por fontes institucionais, como a ANS e a Anahp, e apresenta cada número com fonte, período e amostra. Quando duas fontes medem o mesmo tema de jeitos diferentes, as duas aparecem lado a lado, com a diferença explicada.

Estudos de empresas ficam numa seção separada, porque usam bases de clientes e definições próprias. Quando a ABCICLO tiver pesquisa própria com os associados, os resultados entram aqui como mais uma fonte.

Como citar

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO CICLO DA RECEITA HOSPITALAR (ABCICLO). Radar ABCICLO do Ciclo da Receita. Edição 2026. Disponível em: https://www.abciclo.com.br/radar/. Acesso em: 27 out. 2026

Fontes

  1. Anahp. Balanço Observatório Anahp, 9ª edição (dados de 2025). mar. 2026.
  2. Anahp. Balanço Observatório Anahp (dados do 1º trimestre de 2026). jun. 2026.
  3. ANS. Dados gerais do setor. 2026.
  4. FenaSaúde. Dados assistenciais: despesa assistencial da saúde suplementar, 2022 a 2025 (elaboração sobre o Mapa Assistencial da ANS). 2026.
  5. Abramge. Cenário Saúde, volume 10, nº 1 (dados do 3º trimestre de 2024). 2025.
  6. Unidas. Pesquisa Nacional UNIDAS 2025 (acesso mediante cadastro). 2026.
  7. CNSaúde e FBH. Cenário dos Hospitais no Brasil 2021-2022 (dados de janeiro de 2022). maio 2022.

Esta é a primeira edição do Radar.

Participe da ABCICLO

Associe-se