Os hospitais da Anahp tiveram glosa inicial de 15,93% em 2025, praticamente igual aos 15,89% de 2024.[1]
A glosa que se sustenta ao fim da negociação, a glosa aceita, foi de 1,72% da receita bruta de convênios em 2025.[1]
Os hospitais levaram 77,35 dias para receber em 2025 e pagaram fornecedores em 48,30 dias: cerca de 29 dias financiados com caixa próprio.[1]
As operadoras tiveram em 2025 o maior resultado líquido da série, R$ 23,43 bilhões, com sinistralidade de 81,5%.[1]
No mesmo ano, a margem EBITDA dos hospitais da Anahp caiu para 11,05%.[1]
Glosa nos hospitais
A glosa inicial ficou estável em 2025, num patamar alto. A distância entre a glosa inicial e a glosa aceita mostra quanto da receita passa meses em disputa antes de ser paga.[1]
Ano
Glosa inicial (gerencial)
Glosa aceita (contábil)
2022
não medida
0,78%*
2023
11,89%
1,17%
2024
15,89%
1,96%
2025
15,93%
1,72%
Nota metodológica. A glosa inicial gerencial é o valor glosado ainda em negociação, sobre os valores a receber das operadoras. A glosa aceita é o valor que o hospital reconhece como perda, sobre a receita bruta de convênios. As duas têm bases diferentes e não devem ser divididas uma pela outra. *A Anahp mudou a base da glosa aceita a partir de 2023, e o valor de 2022 não é comparável. A amostra são os hospitais associados à Anahp, em geral de grande porte.
Prazos de recebimento e de pagamento
Os hospitais recebem das operadoras bem depois de pagar fornecedores. Em 2025, a diferença entre os dois prazos foi de cerca de 29 dias.[1]
Período
Prazo médio de recebimento
Prazo médio de pagamento
2022
73,51 dias
45,25 dias
2023
76,38 dias
49,40 dias
2024
69,91 dias
50,70 dias
2025
77,35 dias
48,30 dias
1º tri 2025
74,31 dias
49,20 dias
1º tri 2026
73,84 dias
48,38 dias
Nota metodológica. Valores anuais[1] e do 1º trimestre[2] são séries diferentes e não devem ser misturados. O prazo de recebimento da Anahp é contábil, da emissão da nota fiscal ao recebimento, e não capta o tempo antes da nota.
Resultado das operadoras
O setor de operadoras médico-hospitalares fechou 2025 com o maior resultado líquido da série histórica e sinistralidade abaixo do nível anterior à pandemia.[1]
Período
Beneficiários
Operadoras
Sinistralidade
Resultado líquido
2023
50,88 mi
692
86,8%
R$ 1,93 bi (0,71%)
2024
51,60 mi
669
83,4%
R$ 10,29 bi (3,38%)
2025
53,09 mi
666
81,5%
R$ 23,43 bi (6,96%)
1º tri 2026
52,93 mi
667
80,8%
R$ 6,02 bi (7,00%)
Nota metodológica. Dados da ANS, consolidados pela Anahp nos Balanços Observatório.[1][2][3] O percentual do resultado é sobre a receita de contraprestações. O 1º trimestre não se compara com o ano fechado.
Despesa assistencial
A despesa assistencial da saúde suplementar chegou a R$ 307,54 bilhões em 2025, alta de 11,1% sobre 2024. As internações somaram R$ 128,71 bilhões, 41,9% do total, e são o maior grupo de despesa.[4]
Ano
Despesa assistencial total
Internações
Exames complementares
2022
R$ 227,31 bi
R$ 95,14 bi
R$ 43,95 bi
2023
R$ 258,34 bi
R$ 107,78 bi
R$ 49,18 bi
2024
R$ 276,81 bi
R$ 111,32 bi
R$ 54,06 bi
2025
R$ 307,54 bi
R$ 128,71 bi
R$ 55,89 bi
Nota metodológica. Elaboração da FenaSaúde sobre o Mapa Assistencial da ANS.[4] As internações incluem hotelaria, honorários, medicamentos, materiais, taxas, terapias e exames feitos durante a internação.
Custo das internações nas autogestões
Nas autogestões que participaram da pesquisa da Unidas, o custo médio de uma internação em regime hospitalar passou de R$ 25.754 em 2021 para R$ 28.571 em 2024, alta de 10,9%. Nas internações cirúrgicas, o custo médio subiu cerca de 33,5% no mesmo período, de R$ 23.295 para R$ 31.103.[6]
Ano
Hospitalar
Hospital-dia
Domiciliar
2021
R$ 25.754
R$ 1.489
R$ 13.348
2022
R$ 24.573
R$ 1.661
R$ 14.670
2023
R$ 25.820
R$ 1.708
R$ 14.868
2024
R$ 28.571
R$ 1.948
R$ 15.223
Nota metodológica. Custo médio por internação, por regime. A base são 56 das 110 autogestões filiadas à Unidas, com 3.071.822 beneficiários em 2024 e cerca de R$ 21,47 bilhões por ano em despesas assistenciais (média de 2021 a 2024). O retrato é das autogestões, não de toda a saúde suplementar.[6]
Rede hospitalar privada
Em janeiro de 2022, o Brasil tinha 4.466 hospitais privados e 263.793 leitos em hospitais privados. Entre 2010 e 2022, a rede privada perdeu 31.670 leitos, enquanto os hospitais públicos ganharam 22.924. Entre 2010 e 2021, foram abertos 2.341 hospitais privados e fechados 2.702.[7]
Nota metodológica. Estudo da CNSaúde com a FBH sobre dados do Ministério da Saúde informados pelos próprios estabelecimentos. É a edição mais recente obtida, com dados de 2022, e entra aqui como contexto da rede que presta serviço às operadoras.[7]
Estudos de empresas
Esta seção reúne estudos publicados por empresas privadas do setor. Os números vêm da base de clientes de cada empresa, não de uma amostra representativa do mercado, e usam definições próprias. Não se comparam diretamente com as fontes institucionais acima. A ABCICLO não endossa produtos nem serviços dessas empresas.
Estudo de empresa
ZG Soluções: Panorama do Ciclo de Receita Hospitalar 2026
Base: Dados de 2025 de mais de 700 instituições clientes da empresa, 62% delas associadas à Anahp, com mais de R$ 64 bilhões processados.
Glosas identificadas
R$ 6,14 bilhões
Glosa inicial média
8,86%
Glosa final média
6,58%
Glosa contábil
0,84%
Prazo médio de recebimento
53 dias
Glosas com origem administrativa ou de processo
cerca de 68%
O que os números dizem
A disputa é maior que a perda. Muito mais receita entra em glosa do que fica perdida no fim. O custo está no retrabalho e no dinheiro parado durante a negociação.
Os hospitais financiam o ciclo. Com recebimento em mais de 70 dias e pagamento a fornecedores em menos de 50, o hospital cobre a diferença com caixa próprio.
Os dois lados vivem momentos diferentes. Em 2025, as operadoras tiveram o maior resultado da série, enquanto a margem dos hospitais da Anahp seguiu em queda.
Boa parte da glosa nasce no processo. Estudos de empresas apontam que a maioria das glosas tem origem administrativa, o que pode ser evitado antes do envio da conta.
Falta uma base comum. Cada fonte mede glosa e prazo com uma base diferente. Por isso a ABCICLO propõe os Indicadores gerais do ciclo da receita, calculados do mesmo jeito por prestadores e operadoras.
Fontes consultadas
O Radar só publica número confirmado no documento original da fonte. Estas são as entidades consultadas nesta edição e a situação de cada uma.
Fonte
O que publica
Situação nesta edição
ANS
Dados gerais, DIOPS e painéis do setor
Incluída, pelos dados consolidados nos Balanços da Anahp
Anahp
Observatório Anahp e Balanço Observatório Anahp
Incluída: glosa, prazos e margem dos hospitais associados
FenaSaúde
Dados assistenciais sobre o Mapa Assistencial da ANS
Incluída: despesa assistencial de 2022 a 2025
Abramge
Cenário Saúde, boletim trimestral
Consultada: traz 51,5 milhões de beneficiários em set. 2024, dado já superado pela série da ANS acima
IESS
VCMH/IESS, índice de variação de custos médico-hospitalares
Não incluída: o relatório completo é vendido, e o índice não aparece em página aberta do IESS
Unidas
Pesquisa Nacional UNIDAS, com dados das autogestões filiadas
Incluída: custo médio das internações de 2021 a 2024
CNSaúde e FBH
Cenário dos Hospitais no Brasil
Incluída como contexto: rede hospitalar privada em 2022, a edição mais recente obtida; não traz glosa nem prazo
CMB
Dados das Santas Casas e hospitais filantrópicos
Não incluída: os números encontrados estão em reportagens, não em documento da CMB
Metodologia
O Radar reúne dados já publicados por fontes institucionais, como a ANS e a Anahp, e apresenta cada número com fonte, período e amostra. Quando duas fontes medem o mesmo tema de jeitos diferentes, as duas aparecem lado a lado, com a diferença explicada.
Estudos de empresas ficam numa seção separada, porque usam bases de clientes e definições próprias. Quando a ABCICLO tiver pesquisa própria com os associados, os resultados entram aqui como mais uma fonte.
Como citar
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO CICLO DA RECEITA HOSPITALAR (ABCICLO). Radar ABCICLO do Ciclo da Receita. Edição 2026. Disponível em: https://www.abciclo.com.br/radar/. Acesso em: 27 out. 2026